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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Pragmatismo! Sua igreja tem?


E todos os poços, que os servos de Abraão, seu pai, tinham cavado em seus dias, os filisteus entulharam e encheram de terra.
E tornou Isaque a cavar os poços de água que já se havia cavado nos dias de seu pai e que os filisteus entulharam depois da morte de Abraão e chamou-os pelos mesmos nomes que os chamara seu pai.
                                                                                                                                                                                                 GENESIS 26: 15 e 18.


A igreja tem assimilado a filosofia mundana do pragmatismo e já começamos a experimentar os amargos resultados dessa atitude.

Mas o que é pragmatismo?

É a noção de que o significado ou valor de algo é determinado pelas conseqüências práticas.

Para um pragmatista, se uma determinada técnica ou método de ação resulta no efeito desejado, a utilização de tal método é válida. Se parece não produzir resultado, então não tem valor (precisa acabar ou pelo menos mudar por algum tempo).

O pragmatismo como filosofia foi desenvolvido e popularizado no final do século 19 pelo filósofo William James, junto com outros intelectuais famosos como John Dewey e Geoger Santayana. Foi William James que deu nome e molde à nova filosofia.

O pragmatismo tem suas raízes no darwinismo e no humanismo secular. Em última analise, o pragmatismo define a verdade como aquilo que é útil, significativo e benéfico. As idéias que não parecem úteis ou relevantes são rejeitadas como sendo falsas ou desnecessárias.

Mas o que há de errado com o pragmatismo, então? Afinal de contas o bom senso requer uma dose de pragmatismo legítimo, não é mesmo? Se uma torneira que vazava constantemente volta a funcionar após ter sido substituído o reparo gasto, é razoável supor que o problema estava no “reparo gasto”. Se um medicamento receitado por seu médico tem efeitos colaterais, ou se não produz o efeito desejado, você precisa solicitar-lhe um remédio que funcione. Realidades pragmáticas simples como essas, são, por si mesmas, óbvias.

Mas quando o pragmatismo, entretanto é utilizado para formularmos juízos acerca do certo e do errado ou quando se torna a filosofia norteadora da vida, da teologia e do ministério, acaba inevitavelmente, colidindo com as Escrituras. A verdade espiritual e bíblica não é determinada baseando-se no que “funciona” ou “não funciona”.

Sabemos por intermédio das próprias Escrituras, por exemplo, que o Evangelho frequentemente não produz uma resposta imediata, positiva das pessoas que o recebem (I Cor. 1:22,23; 2:14). Por outro lado, as mentiras satânicas e o engano podem ser bastante eficazes nesse objetivo (Mt. 24:23e24; II Cor 4:3e4).

A reação da maioria não é um parâmetro seguro para determinar o que é valido (Mt. 7:13 e14). O pragmatismo como filosofia norteadora de um ministério é inerentemente defeituoso e como uma prova para a veracidade do método é satânico.

Entretanto, um irresistível surto de pragmatismo está permeando o evangelicalismo em nossas igrejas hoje. A metodologia tradicional (Antigos poços D’água) – especialmente a pregação – está sendo descartada ou entulhada em favor de novos métodos, tais como dramatizações, danças, comédias, variedade grandiosa de atrações (principalmente em prol do público jovem) e outras formas mais de entretenimentos sociais. Esses novos métodos são supostamente mais “eficazes”, ou seja, atraem mais pessoas. E visto que, para muitos, a quantidade de pessoas nos cultos se tornou o principal critério de uma igreja, aquilo que mais atrair publico (em nome de Jesus) é aceito como bom método, sem uma análise crítica. Aliás, critica é uma palavra indigesta para uma boa quantidade de lideres e pastores, que contrariando o principio bíblico de examinar a si mesmo, refutam de imediato qualquer crítica, atribuindo a intenção de quem faz criticas à coisas do diabo ou a quem só quer destruir a “obra de Deus”.

Alguns lideres eclesiásticos aparentemente pensam que as quatro prioridades da igreja apresentada no livro de Atos – a doutrina dos apóstolos, a comunhão, o partir do pão e as orações (Atos 2 : 42) – constituem uma agenda insuficiente para a igreja de nossos dias. Algumas das maiores e mais influentes igrejas evangélicas agora ostentam cultos dominicais que são planejados com o propósito de serem mais divertidos do que reverentes. Eles estão consentindo que a dramatização, a música, a recreação, o entretenimento, os programas de auto-ajuda e eventos “divertidamente bíblicos”, obscureçam o culto e a comunhão dominical tradicionais. Alias na igreja contemporânea tudo parece estar na moda, exceto a pregação bíblica. O novo pragmatismo encara a pregação bíblica (particularmente a expositiva) como antiquada. Proclamar de modo claro e simples a verdade da Palavra de Deus é visto hoje como ingênuo, ofensivo e ineficaz. Dizem-nos que obteremos melhores resultados se, primeiramente, entretivermos as pessoas ou lhes oferecermos dicas a respeito de como serem bem sucedidas e lhes ministrarmos “psicologia popular”, cortejando-as assim para que façam parte do nosso grupo. E uma vez que se sintam bem, estarão dispostas a receberem a verdade bíblica em doses homeopáticas e diluídas.

É incrível, porém muitos crêem que essa é uma tendência positiva, um tremendo avanço para a igreja moderna.

Há pastores se voltando para livros de marketing em busca de técnicas que ajudem no crescimento da igreja.

Essas propostas que nos convidam a pregar menos e a fazer mais determinadas outras coisas, naturalmente não são nenhuma novidade. Podemos pensar que tudo isso é relativamente novo ou que é o carimbo da modernidade, censurar ou depreciar a pregação, pondo a ênfase sobre essas outras coisas. A sua forma externa pode ser nova, mas o principio certamente nada tem de moderno, de fato, tem sido a ênfase especifica do presente século.

Estou convencido de que o pragmatismo representa a igreja de hoje a ameaça mais letal à saúde doutrinaria de qualquer denominação séria, pois ele insurge de dentro da igreja. Muitos cristãos parecem inconscientes (ou não estão querendo enxergar) a respeito dos sérios perigos que ameaçam a igreja por dentro. Porém se existe algo que a história nos ensina, este ensino é que os ataques mais devastadores desfechados contra a fé sempre começaram com erros sutis surgidos dentro da própria igreja.

E por viver em uma época tão instável, a igreja não pode se dar ao luxo de vacilar. Ministramos hoje a pessoas que buscam desesperadamente respostas, por isso, não podemos amenizar a verdade ou abrandar o evangelho. Se fizermos amizade com o mundo, nos tornaremos inimigos de Deus. Se nos dispusermos a crer em artifícios mundanos (teatros, dances, show, etc.) estaremos automaticamente abrindo mão do único método confiável, deixado por Deus desde que a igreja nasceu: a exposição completa das Escrituras alicerçada no real poder do Espírito Santo.

Por favor não interprete minha preocupação de forma errada. Não estou preso a este ou aquele estilo de culto, liturgia ou ministério, para ter que ouvir as respostas pré-prontas de que cada um tem que estar na igreja que “gosta”. Essa idéia de que as pessoas tem que procurar um lugar que se adaptem aos seus gostos pessoais de “cultuar” é para mim um erro profundo, teológica e psicologicamente falando. Essas coisas, em si mesmas, nem são questões abordadas nas escrituras. Também não ouso pensar que minhas preferências (pois todos nós as temos) em tais assuntos superem o gosto dos outros. Não alimento qualquer desejo de defender ou de fabricar regras arbitrarias a fim de decidir o que é aceitável ou não nos cultos da igreja. Fazer isso seria a própria essência do legalismo.

Minha contenda é contra uma filosofia que relega a Deus e a Sua Palavra um papel secundário na igreja. Pois creio que colocar o entretenimento acima da pregação bíblica e da adoração no culto é contrario as Escrituras. Oponho-me àqueles que acreditam que as habilidades humanas podem conquistar pessoas para o Reino de Deus com maior eficácia do que o Espírito Santo possa fazer. Essa idéia de que poderemos ganhar pessoas para fé cristã, só lhes mostrando que, afinal de contas, gostamos das mesmas coisas que elas almejam no mundo é uma descaracterização da imagem e identidade da igreja de Cristo na terra, uma arma apontada contra a própria igreja.

O entretenimento está rapidamente se tornando a liturgia da igreja pragmática. Além do mais, muitos na igreja crêem que essa é a única forma pela qual haveremos de alcançar o mundo. Por isso, dizem-nos que, se as multidões de pessoas que não freqüentam as igrejas não querem ouvir pregações bíblicas, devemos dar-lhes aquilo que desejam. Centenas de igrejas têm seguido à risca essa teoria, chegando a pesquisar os incrédulos a fim de saber o que é preciso para que estes passem a freqüentá-las. Sutilmente, em vez de uma vida transformada, é a aceitação por parte do mundo e a quantidade de pessoas presentes aos cultos o que vem se tornando o alvo maior da igreja contemporânea.

Quero deixar claro mais uma vez, que não estou buscando contendas filosóficas a respeito da fé. Aqueles que me conhecem pessoalmente afirmarão que não gosto de qualquer tipo de contendas ou de disputas. Por outro lado, há um fogo que reside em meu ser constrangendo-me a falar abertamente sobre tais considerações que relato aqui e que estão sendo praticadas intensamente no seio da igreja. Não posso ficar quieto quando há tanto em jogo.

É com essa atitude que ofereço este pequeno resumo do prefácio de um livro, que todo pastor que exerce a função do pastoreio de almas e que rejeita a idéia de que pastor é um cargo de elite eclesiástica se auto comparando com os sumos sacerdotes do antigo testamento, não deveria deixar de ler. COM VERGONHA DO EVANGELHO de John F. Macharthur Jr.

Espero que ninguém considere isso como um ataque a qualquer pessoa ou ministério em particular. Ele não é. Trata-se de um apelo à igreja como um todo em questões de principio, não de personalidades. Embora sabendo que haverá discórdia com relação a maior parte do que escrevi, procurei escrever sem ser ofensivo. Sei que há questões a respeito das quais muitas pessoas têm convicções profundas. Quando tais questões são abordadas – em especial, quando as opiniões são apresentadas sem rodeios – as pessoas, às vezes ficam zangadas. Eu não escrevi manifestando rancor, e solicito a quem ler que receba este alerta no mesmo espírito com o qual escrevi.

Minha oração é que essas linhas despertem e estimulem a sua maneira de pensar, de tal forma a impelir você a uma auto-análise de seu ministério à luz da Palavra de Deus, “para ver se as coisas” são “de fato assim”(Atos 17: 11). Oro para que o Senhor livre a sua igreja do mesmo tipo de deslizamento ladeira abaixo, que tantas outras já mergulharam, exaurindo todo seu vigor espiritual, restando apenas as forças carnais do mundanismo e da incredulidade à Sã Doutrina. Oro ainda para que, assim como Isaque, possamos não procurar novas fontes de metodologias modernas, mas reabrir os antigos poços entulhados, que em dias anteriores nos saciavam a sede.

Ovelhas e não bodes têm verdadeiramente sede de água viva. Então, desentulhem os poços!

Será que um homem que ama o seu Senhor estaria disposto a ver Jesus vestindo uma coroa de espinhos, enquanto ele mesmo almeja uma coroa de louros? Haveria Jesus de ascender ao trono por meio da cruz, enquanto nós esperamos ser conduzidos para lá nos ombros das multidões, em meio a aplausos? Não seja tão fútil em sua imaginação. Avalie o preço; e, se você não estiver disposto a carregar a cruz de Cristo, volte a sua propriedade ou ao seu negócio e tire deles o máximo que puder, mas permita-me a sussurrar em seus ouvidos: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma”?
                                               Charles Haddon Spurgeon.
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