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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Entre amigos e decepções.



Nunca fui um homem de muitos amigos, se é que um dia os tive. Conto nos dedos das mãos (os dos pés ficam de fora) as pessoas que me foram muito próximas e que num lapso de extremo otimismo e inocência eu chamei de amigos.


Para falar a verdade, não existe de fato aquilo que convencionamos chamar de amigo. A figura do companheiro infalível, sempre disponível, disposto a ajudar em qualquer situação e presente em todos os momentos da vida só existe nas canções apaixonadas e emotivas de cantores como Roberto Carlos.


Sabe aquele seu amigo que nunca falhou com você? Foi só uma questão de oportunidade. Nada melhor do que o tempo para revelar a superficialidade de certas relações que acreditamos sólidas, mas que são frouxas como gelatina. As pessoas falham e nos decepcionam com mais facilidade do que imaginamos!


A melhor fórmula para cultivar uma relação de camaradagem é nada esperar daqueles que se dizem nossos amigos e fazem juramentos de fidelidade eterna.
Para quem não espera nada, tudo o que vier é lucro.

Aliás, bom seria que evitássemos obstinadamente as “amizades muito finas”. Entenda-se por “muito fina” uma relação onde a proximidade entre duas pessoas é tão intensa que até mesmo a individualidade de cada uma é sufocada por uma convivência constante e doentia.


É preciso certa distância para que haja liberdade e os relacionamentos sejam duradouros. A proximidade em demasia, por incrível que isso possa parecer, acaba gerando um efeito contrário ao esperado e separando ao invés de unir.


Amizade, se é que existe tal coisa, certamente não é diretamente proporcional a proximidade e ao tempo de convívio. Judas andava o tempo todo ao lado de Jesus e não hesitou em traí-lo, pois nunca foi de fato seu amigo.
Aliás, assim como aconteceu com o Cristo também acontece conosco. Somos sempre traídos com um “beijo frio na face”. Traição e amizade em muitos casos moram em casas conjugadas!


Quanto a mim, os meus melhores amigos são os que já morreram e não tiveram tempo e nem foram próximos o bastante para me fazerem mal. No que diz respeito aos vivos, é mais prudente esperar um pouco mais para elogiá-los ou  então deixar que morram primeiro. KKKKK.


Embora Aristóteles tenha dito que o homem é um ser social, ou seja, que ele só se realiza plenamente na relação com outros homens, é também igualmente verdade que somos sós por natureza. O nosso ser é um mundo escuro e sombrio por onde vagamos sós e aflitos a procura de um caminho.


Estamos sozinhos porque os recônditos mais escuros das nossas almas e dos nossos corações são inacessíveis até mesmo àqueles que julgamos serem os nossos melhores amigos. Nesses espaços vazios do nosso ser só uma única pessoa pode penetrar e às vezes eu temo que seja justamente ela, com quem lutamos diariamente e com todas as forças que temos, para deixa-la completamente de fora de nossos miseráveis corações.

Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo. Ap.3:20.


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